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Ano novo, blog novo: www.atangerinaII.blogspot.com
Porque sim.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 18h54
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Tem continuação no post abaixo, d'accord?
Introdução à História do Cinema, ou Tudo o que Você Nunca Quis Saber Sobre Cinema Europeu e Sempre Teve Coragem de Não Perguntar
Este é apenas o primeiro módulo na formação de um cinéfilo, todavia de suma importância para o resto do curso, uma vez que aqui se dará seu primeiro contato real com o mundo do cinema a partir de uma série de experiências acadêmicas com as mais conceituadas escolas européias de vanguarda audiovisual. Já na primeira aula, ensinar-se-á como o cinema europeu se debruçou nos clichês mais inusitados e nos lugares-comuns menos visitados para compor um repertório fílmico com um padrão altíssimo de qualidade intelectual e, de quebra, alçar nomes como Jean-Luc Godard e François Truffaut à Imortalidade, um lugar especialmente agradável para quem está em dia com o aluguel e satisfeito com a cor de seu cabelo.
Afinal, o que há para não se gostar no cinema europeu? Na maior parte do filme, as histórias tratam de sexo. No resto do tempo, há quase sempre uma irmã coxa que, por nunca ter tido a chance de permanecer em cena por mais de cinco minutos sem ser confundida com um prato de ervilhas, decide de vingar do mundo, abandona sua família e passa a se dedicar à prática de percorrer bares da vizinhança para assoar o nariz de todo mundo que não souber dar uma resposta apropriada para o sentido da vida.
O caixeiro-viajante é outra personagem recorrente na cinematografia européia a ser radiografada por este curso: figuras muito populares em países altamente impopulares, eles imprimiram forte fascínio em toda uma geração de artistas, literatos e vendedores de enciclopédia. Suas histórias de vida já inspiraram tramas inesquecíveis na cinemateca européia, como os épicos “E o Correio Levou...” e “Minha Vida de Inseto”, ambos dirigidos por Alfred E. Newman, cineasta talentoso porém amargurado pela crescente suspeita de que sua mulher o traía com seu próprio Eu Lírico toda vez que ele saía para comprar alcachofras.
Já “Croach Fiction – Tempos de Correspondência” seja talvez o mais belo expoente do cinema de antiarte europeu (que tem como principal conceito-fetiche o uso de guaxinins enraivecidos para interpretar o papel da mocinha do filme). O longa-metragem, de autoria de um jovem diretor tcheco que, curiosamente, passou todo o processo de produção do filme acreditando que estava de fato estabelecendo contato com o espírito de um indígena escandinavo que sofria de gases, foi filmado em pleno Morro dos Ventos Uivantes - point mais badalado dos alternativos desde de que se descobriu que o ar da Colina das Brisas Sibilantes só era próprio para algumas espécies de vidas mais prosaicas, como bactérias, arbustos e high schools americanos.
Na realidade, não seria a primeira vez, tampouco a única, que caixeiros-viajantes se transformariam em baratas, estudantes de comunicação ou no bigode do Stálin nas mãos de talentosos diretores da Europa, não obstante muitos deles tenham sido impedidos de prosseguir sua carreira devido à contração de uma estranha doença durante as filmagens do musical Le Kafcafé, cujos principais sintomas consistem em sudorese, verborragia e na incapacidade de cantar parabéns sem se despir e fazer um número de cabaret na frente da família do seu namorado (e vice-versa).
Escrito por ««Ånninhå®»» às 16h55
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Continuação
Quanto ao corpo docente do curso, não há margem de dúvida quanto à excelência de seus catedráticos, começando pelo próprio diretor do curso, André Bazin, fundador do histórico caderno de cinema Cahiers du Cinemá e peso-pesado do ramo em todos os sentidos: Bazin não só é dono de uma perícia cinematográfica sem igual, como também possui uma compleição física capaz de comportar cem gêmeas Olsen em cada perna.
Ingmar Bergman, renomado cineasta europeu e estudante dedicado de hábitos culturais e marchinhas de carnaval suecas nas horas vagas, é o responsável pela cadeira de Sociologia, Hábitos Culturais e Marchinhas de Carnaval Suecas nas Horas Vagas. Infelizmente, o mais provável é que a turma perca a maior parte de sua fala devido a um problema fonodiólogo que faz com que ele só consiga lecionar suas aulas aos gritos e sussurros. (O que muitas pessoas julgam como mais intrigante na situação é o fato de sua audição ser, particularmente, bastante sensível, visto como toda vez que um aluno emite qualquer tipo de som da aula, ainda que para respirar ou recitar o refrão de I Will Survive traduzido em turco, ele imediatamente o xinga de Smultronstället e deixa a sala desabalado em ritmo de marcha atlética.)
Outro cineasta que costumava dar as caras por lá era Roman Polanski, responsável pelo módulo sobre a decupagem de menores até que, numa inesperada e de fato irônica reviravolta, foi obrigado a abandonar a carreira por motivos de uma força menor de idade. É claro que muitos outros nomes importantes já circularam pelos corredores da faculdade, mas a verdade é que, desde a última grande crise entre Bazin e seu sanduíche de carne, que se recusava a ser chamado de hamburguer pela nova geração de professores e estudantes, grande parte deles se aposentou para ir à Hollywood filmar documentários sobre o acasalamento entre espécies completamente distintas do mundo do espetáculo, como estrelas de cinema e os Oscares de Melhor Efeito Especial e Edição de Som de 1996.
Como avaliação final desta cadeira, caberá ao cinéfilo escrever uma tese sobre as maravilhas e vicissitudes do cinema europeu contemporâneo. O trabalho será analisado por uma banca composta por empregados do correio irlandês e pelo corpo docente da Escola Surrealista Marcel Duchamp. A temática, de livre escolha do graduando (porém obrigatoriamente redigida em aramaico coloquial), deverá apresentar clareza, presença de espírito e ter como título “Como Mexer no Queijo Francês do Outro e Ainda se Dar Bem com Isso”.
Até o fim do período, o aluno será levado a fazer uma série de descobertas que mudarão para sempre sua relação com a Sétima Arte (o que provocará muitos ciúmes na Terceira e na Quarta, mas um polegar levantado de “é isso aí!” por parte de todas as outras). Em primeiro lugar, verá que sua capacidade de citar toda a obra de Pasolini de trás para a frente e pulando numa perna só será paulatinamente aprimorada, motivo pelo qual, no futuro, ganhará vários ohs de admiração e algumas bolinhas de papel numa roda de discussão.
O cinéfilo passará da condição de iniciante para iniciado e conquistará o direito de desferir opiniões que, a partir de agora, serão consideradas válidas pela comunidade acadêmica, contato que respeitem as regras básicas de nunca deixar de falar mal do cinema hollywoodiano e fazer alguma referência sobre a mimesis aristotélica em sua fala (os alunos mais avançados serão imediatamente instruídos a passarem manteiga nos sapatos de seus colegas de classe como prova de sua superioridade). Contudo, sem dúvida a maior lição que poderá ser aproveitada depois de um semestre de curso será a revelação de que a vida pode até ser curta, mas que um filme de Fellini nunca o é.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 16h53
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Coisas que eu não pretendo fazer em breve:
1. Atualizar este blog;
- Atualizar este blog com um “feliz aniversário, Fiu, você é um ótimo amigo e merece um post especialmente criativo que não cite nada parecido com anões belgas, cantoras tropicalistas ou divindades em crise existencial e fio-dental”;
- Lambaeróbica;
- Citar qualquer filósofo que:
a) possua um nome que eu não saiba pronunciar
b) não consiga massagear a barriga, bater na testa e recitar Guy de Maupassant ao mesmo tempo
c) tenha trabalhado para os Correios durante qualquer época de sua vida
d) dance funk
e) NRNA*
- Assumir saudades;
- Ir ao cinema;
- Mentir.
* Nada de Relevante Nessa Alternativa
Escrito por ««Ånninhå®»» às 11h58
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Revolutionary's Guide to the Galaxy (Peça em um ato)
(A cena se passa no pátio de uma escola especializada na formação de revolucionários. Óculos 3-D são distribuídos para a platéia, mas eles são confundidos com canapés de cebola e acabam causando intoxicação alimentar em pelo menos um casal de argentinos da terceira fileira. Os alunos [curiosamente interpretados por pingüins bilíngües] estão no recreio e discutem o uso do ponto-e-vírgula como a mais nova ferramenta de dominação empregada pelas classes dominantes. G. e F., nossos protagonistas pró-ativos, entrão em cena.)
G.: Oh, F.! Sinto que temos que fazer algo pela revolução.
F. (depois de um longo silêncio): Sim, talvez esta seja uma boa idéia. Mas fazer o quê? A turma B já violou o McDonald’s da esquina na semana passada. E ainda saíram sem pagar a conta!
G. (pensativo): Precisamos encontrar outra solução. O fim do mês está chegando e eu não participei sequer de um plesbicito! Minha mãe já está começando a cobrar. É só eu não querer comer os vegetais no jantar que ela joga na minha cara que todos os meus irmãos já foram prisioneiros políticos ao menos uma vez!
F. (em tom compreensivo): Eu te entendo, cara. Outro dia mesmo o meu pai ameaçou me dar um tênis da Nike caso eu não falasse mal da Reforma Universitária na frente dos amigos dele.
G. (subitamente exaltado): No fundo, eles tão é certos, isso sim. A gente só sabe discutir, mas na hora de agir, necas. Deixa eu te dizer uma coisa: sabe o que a gente devia fazer?
F. (em tom sério): Primeiramente, nunca usar a palavra necas outra vez.
G. (obviamente ignorando F.): A gente devia é agir! É como vovô sempre disse: quem sabe faz a hora e não espera acontecer. Pois eu sinto a revolução bater à porta, e dessa vez eu tenho certeza que não é o meu irmão voltando porque esqueceu as chaves de casa!
(Os dois permanecem em silêncio por longos cinco minutos. A platéia, entretanto, não desconfia que, na verdade, os atores esqueceram suas falas - provavelmente porque ela está sendo distraída por um animador de audiência que, num momento particularmente tenso de seu show, está tentando fazer um hipopótamo lecionando filosofia com balões coloridos do estilo longuete.)
F.: E se nós fizéssemos uma passeata contra o governo? Quando era pequeno, sempre quis conhecer Brasília, mas mamãe fugiu com o amolador de facas antes que pudesse pedi-la que me levasse lá.
G.: Mas isso é horrível, F.! Todos sabem que os amoladores de faca se renderam ao FMI desde que as facas Ginsu entraram no mercado!
F. (um tanto sem graça): Na época, ela tentou amenizar o choque dizendo algo a respeito de ir ajudar crianças que passam fome na África a traduzir as músicas de Joni Mitchell para o russo, mas eu sempre desconfiei que a partida de mamãe tivesse alguma coisa a ver com o fato de eu nunca ter aprendido a falar sale e delivery em português.
G. (mudando propositalmente de assunto): Eu honestamente não sei o que pensar da sua proposta de ir à Brasília, F.. Na última passeata que eu participei, o máximo que conseguimos negociar foi um pote de azeitonas para cada manifestante, e as minhas ainda vieram todas com caroço.
F.: Seilá... Eu acho que é hora de radicalizar. Ir às ruas, se levantar em armas, roubar as cuecas do presidente e trocá-las por outras de um número menor, qualquer coisa!
G. (depois de meditar por um tempo): Já sei! Por que não invadimos o gabinete do governador e o obrigamos a cantar Atirei o Pau no Gato enquanto fazemos cócegas em seu joelho direito?
F.: Pois eu acho que essa é a melhor idéia que ouvi desde que Marx desistiu de sua carreira como dançarino de funk para se dedicar à escrita. Eu acho que isso irá ensina-lo a não desviar o dinheiro público para reformar o banheiro do seu Fox-Terrier.
(Os dois sorriem em cumplicidade, mas logo F. começa a chorar, pois lembra da queda do Muro de Berlim ao ver uma mulher na poltrona B-8 com um vestido muito parecido com aquele que seu avô usava nas aulas de halterofilismo. Uma música medieval começa a tocar no fundo e, para alívio da platéia, as cortinas se fecham antes que G. tenha a oportunidade de atacar a primeira fileira com uma foice e um martelo. Pelo que tudo demonstra, o primeiro ato chega ao fim. Tirando um espectador mais ao fundo, revoltado pelo fato dos protagonistas não terem revelado as outras letras de seus nomes, o público aplaude com fervor. Contudo, todos logo caem na gargalhada ao perceber que o assistente de palco está nu e gritando algo sobre abelhas assassinas sendo distribuídas como souvenirs por agentes secretos do Partido Burguês. Dois minutos depois, todos estão mortos.)
Escrito por ««Ånninhå®»» às 20h03
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Morrer é uma questão de método
Poucas coisas na vida despertam tanto a curiosidade do homem quanto a morte, mas a verdade é que não se sabe muito sobre ela – exceto que ela gosta de se vestir de preto e que volta e meia pode ser vista cantando Another One Bites the Dust em bares de karaokê vitorianos (embora existam muitos poucos desses hoje em dia). Há, afinal, vida após a morte? Se sim, poderei me chamar Zaphod Beeblebrox lá? E quanto a nossa alma, será ela imortal ou apenas megalomaníaca?
Existem várias teorias sobre a morte, mas absolutamente nenhuma delas explica a aplicação da Lei da Relatividade na gastronomia étnica de nosso país (talvez porque, nas palavras de um ilustre expoente da sociedade científica que não quis se identificar, "nós possamos ter-nos desviado da nossa linha de pesquisa em algum momento"). Como muitas pessoas já desconfiavam, bater as botas é, no fundo, o menor dos nossos problemas (contanto que você se sinta bem com a cor do seu cadarço, naturalmente). O que acontece depois é, isso sim, o verdadeiro mistério. Para onde vamos, quanto tempo demora para chegar lá e que tipo de roupa devemos levar são perguntas que já passaram pela cabeça de todo mundo pelo menos uma vez na vida, seja ele o moribundo tísico, o atleta saudável ou a sua tia distante que lhe manda uma boneca todo Natal (embora você se chame Ernesto e tenha 26 anos há até bastante tempo).
Quem, afinal, paga a conta de luz para que você possa ter todo aquele espetáculo pirotécnico no fim do túnel que sempre lhe prometeram? Certamente não os seus parentes, que ainda estarão se desdobrando - literalmente, se você pertencer a uma família de contorsionistas - para pagar todo o ônus funerário de sua morte enquanto você toma banana daiquiris no céu (ou no inferno, caso você seja ateu, advogado ou simplesmente um pé-no-saco) e discute a arte da jardinagem filipina com Alfredo, um carteiro que faleceu no ano anterior graças a um sinistro ataque de fúria por parte de anões belgas que andavam se sentindo marginalizados pela sociedade capitalista e opressora. Quanto ao seu plano de saúde, como pedir para que ele pague por sua luz no fim do túnel se ele sequer cobria suas despesas dentárias quando você estava vivo? Deus, a opção que para muitos poderia ser apontada como a mais plausível e justa (talvez porque Ele seja a única entidade sobrenatural que tenha American Express, embora haja os que digam que é puro exibicionismo de Sua parte), tão pouco: com tantas guerras, enchentes e penteados dos anos 80 mundo afora para serem enfrentados, todo o trabalho burocrático não resistirá muito antes de ser relegado para as instâncias inferiores.
Mas quem são essas instâncias inferiores, uma pessoa razoável poderia questionar (ou simplesmente pular o assunto e, no lugar, começar a fazer um curso de estenografia por correspondência, uma vez que ela é uma pessoa razoável esclarecida e faz o que bem entender). Para a Grécia Antiga, elas se chamavam Cloto, Laquesis e Atropos e eram conhecidas como as Parcas, figuras mitológicas que controlavam os fios da vida e decidiam quem morria ou não. A Grécia Moderna já não pensa mais assim, embora continue faturando horrores no mercado têxtil temático.
Já grande parte do Ocidente gosta de acreditar que os anjos são os funcionários públicos do Paraíso. Daí inclusive teria originado a idéia de anjo-da-guarda: enquanto Deus se ocuparia com tarefas de escala mais global – como eras glaciais e chuvas que duravam 40 dias e 40 noites (o que era uma grande sacanagem com todos aqueles que não detinham o monopólio das construtoras de arcas) -, os anjos estariam empenhados numa missão mais individual e menos sensacionalista. Todavia, a imagem pulcra e nobre que temos do exército do Senhor é altamente questionada pelos Letrismo, uma escola histórica pouco afamada que crê que a Bíblia nada mais foi do que uma sopa de letrinhas que Deus acidentalmente deixou derramar durante uma briga com Zeus a respeito de marcas e patentes. Para os letristas, apesar da versão oficial nos contar que Deus teria descansado no sétimo dia, a verdade seria que, irritados com a fama de que passavam o dia tocando harpas que seria espalhada num futuro longínquo pelo homem – a mais recente e mimada criação divina -, os anjos teriam feito a primeira greve da história e se recusado a completar tarefas como a paz mundial e o Grand Canyon. (Rezam as lendas que, como punição, a ira divina teria lhes tirado o sexo e ainda ganho uma fortuna ao patentear os bonecos Ken.)
A morte varia de cultura para cultura, de época para época e de pessoa para pessoa, não obstante seus contínuos esforços para entrar na era da globalização. Não podemos, por exemplo, tentar entender como um aristocrata via a morte em plena Revolução Francesa, embora alguns relatos de sobreviventes nos digam que ela parecia um pouco afiada demais para seus pescoços. Até podemos andar pelo vale da sombra da morte sem temermos mal algum, mas nossos passos nunca serão iguais aos de outra pessoa. Para uns dolorosa, para outros, uma bazófia; o começo para um pai e o fim para um filho; uma redenção ou um pesadelo: a morte é uma essência que nem a pena dos mais afiados escritores conseguiram transpor integralmente para o papel (embora um mico adestrado tenha chegado muito perto uma vez, mas isso não passou de uma assombrosa coincidência).
Escrito por ««Ånninhå®»» às 21h22
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Procura-se pé e cabeça para texto solteiro e bem-apessoado
Pressão para atualizar = várias frases soltas em esboços de parágrafos, fragmentos de idéias sem pé nem cabeça. Talvez um joelho ou um braço, mas certamente nenhuma revisão. Não há começo, meio e fim (não no sentido de sou-um-texto-contemporâneo-então-trate-de-me-decifrar, mas sim no sentido de sou-um-texto-muito-ruim-tem-certeza-que-quer-continuar).
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Dizem que há momentos em nossa vida que nunca esquecemos, e que outros simplesmente deixamos para trás, como sapatos velhos, álbuns de figurinha e novelas epilogadas. Com a história, de certa forma, as coisas não funcionam de maneira muito diferente: enquanto certas épocas, fatos e olfatos sobrevivem ao tempo e ficam registrados no inconsciente coletivo, outras são incontornavelmente relegadas ao abismo do esquecimento, lugar-comum dos escritores que não polemizaram, dos políticos que não roubaram e das farpas que não infeccionaram. Embora estar lugar certo, na hora certa e usar sua cueca da sorte tenha ajudado muitos acontecimentos a tatuarem-se nas páginas da história, não há como estabelecer parâmetros precisos para determinar aquilo que será estampado como símbolo de uma geração. A história é tão imprevisível que ela inclusive gosta de repetir a si mesma, mas só quando ninguém está prestando atenção.
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Uma outra característica da história é que ela também é feita pelos seus esquecidos, ainda que eles não apareçam nos créditos finais e não costumem ser chamados para as festas mais legais. Não existe nada de novo, exceto aqui que já se esqueceu. E mais: muitos são os que, estando um passo a frente de seu tempo, só poderão ser compreendidos muitas gerações adiante (quando o são). Afinal, quantos James deixamos passar antes de decidirmos imortalizar um Dean? Quantas idéias deixamos de ouvir simplesmente porque elas não nos caíam bem depois do jantar, ou porque não estávamos apropriadamente vestidos para recebê-las?
Fatos demoram anos para fazer sucesso da noite para o dia, e mesmo assim aqueles que são rejeitados pela memória social podem desenvolver depressão aguda e, mais tarde, psicopatia obtusa (o que pode levar muitos deles à anti-sociabilidade, à sodomia e, em casos mais extremos, à compulsão por pronunciar a palavra "esquadro" na presença de estranhos e/ou freiras venezuelanas). As lembranças que marcaram uma época nunca são eventos isolados e independentes: elas nascem de contextos, e estes não acontecem de repente, mas são edificados ao longo de um tempo que esquece ou recorda, de acordo com o seu estado de espírito e seu estoque de ginko biloba. É claro que isso não implica que os acontecimentos tenham que abandonar seu caráter intempestivo - mas, de certa forma, são as ocasiões que fazem as revoluções (embora elas tenham menos espaço no baú de memórias de uma geração e ainda ganhem muito menos cartões no Natal).
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Dizem que há momentos que nunca esquecemos em nossa vida: nossa primeira dor de ouvido, todos os bueiros em que caímos e todos os maios de 1968 que caem sobre nós ao longo dos anos. Este, provavelmente, não é um deles. A não ser que alguém esteja recitando este texto e usando um babadouro estampado com frases de Crime e Castigo ao mesmo tempo, ou algo parecido, é altamente duvidoso que este instante esteja fadado a reminiscências futuras ou posteriores (o que vier primeiro). A vida continuará a seguir seu curso até que o Intempestivo cruze o nosso caminho novamente. O mundo não parará de rodar, o jornal continuará a ser entregue no dia seguinte e homens chamados Astrogildo não deixarão de acordar pensando por que raios logo eles têm que se chamar Astrogildo. Não obstante digam que o tempo nos ajuda a compreender melhor as coisas (embora, às vezes, ele seja incapaz de amarrar o laço do próprio sapato), nem todos os momentos saem da vida para entrar na História, e nem por isso eles podem ser ignorados quando o presente se predispõe a estudar o passado. O tempo não auxilia na compreensão das coisas, e sim na compressão delas.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 02h46
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Há 19 anos atrás...
...Gorbachev pronunciava-se com um discurso pró-EUA que pressagiaria a iminente derrocada da U.R.S.S. seis anos mais tarde, morria Orson Welles, o Cidadão do cinema norte-americano mais aclamado de todos os tempos, e o PCdoB obtinha seu registro no TSE e voltava à legalidade após 38 anos à margem da vida política brasileira.
E no dia 22 de outubro de 1985
Num planeta chamado Terra
Num país chamado Brasil
Na cidade do Rio de Janeiro
Nasceu um menino gordinho
Com três quilos e meio
Que chorou em francês
E se chamou Fabiô.
Feliz aniversário, Fábio!
Escrito por ««Ånninhå®»» às 00h48
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Pequeno Dicionário Afetuoso - A Missão aka Parte II
E a disputa pelos direitos autorais do nosso Pequeno Dicionário Afetuoso começa...
Acender. Ação que alguns indíviduos não conseguem fazer de primeira. "E, com uma expressão melancólica, o Tafru falava não conseguia acender de primeira."
Amsterdã. Capital da Holanda localizada em plena rota turística mundial, mais conhecida não pela sua famosa rua de prostitutas, e muito menos pelo seu museu de drogas ilícitas, mas sim pela sua primazia no ramo de exposição de flores.
Autismo. Fenômeno patológico caracterizada pelo desligamento da realidade exterior e criação mental de um mundo autônomo. Facilmente encontrado em franceses sóbrios e frequentadores de exposições de flores. Pode levar o portador da doença a se isolar do grupo em todas as situações de divertimento exacerbado.
Boghob-tesão. Ato falho que vem a denunciar o desejo oculto de um por outrem.
Canudo. Objeto multi-funcional que pode ser um diploma, um plástico cilíndrico para sorver bebidas, uma metáfora sexual ou um item para aspirar certas drogas de natureza ilícita. "A Anna Virginia NÃO abdicou ao canudo!"
Capitão Planeta. Segundo crendice popular, santo protetor dos bêbados, trôpegos e simpatizantes."Terra! Água! Fogo! Vento! Coração! Pela união dos seus poderes, eu sou o Capitão Planeta! Vai, Planeta!"
Cassetetetada. Golpe de cassetete que realmente dói
Catzschica. Utensílio doméstico que possui forma análoga a uma cadeira, mas que é assentado ao avesso, no teto.
Eficiência. Qualidade intrínseca a franceses sóbrios portadores de autismo.
Engarrafamento. Metáfora utilizada por casais que desejam se encontrar fora do campo de visão do grupo, consiste em lançar mão de situações inexistentes no canal tráfego para ganhar tempo sozinhos.
Fina educação. Condição comportamental que pode ser empregada em sala de aula, caracterizada por ações como o puxa-saquismo e o baba-ovismo. Pode influenciar a nota final de sua prova na hora da avaliação do professor (assim como decotes, sites franceses e cartões em forma de fruta).
Gorro. Alvo visado pela rede de estelionato internacional em viagens de família. Ver casaco do Ricardo
Horácio. Dança importada de Jundiaí, consiste em movimentos ritmados de acordo com o personagem de Maurício de Souza. Ver Horácio na ondinha e Horácio nas Arábias.
Espetáculo. 1. Algo fora do comum, estupefante, esplêndido. 2. Linhagem de tradicional família da Urca, mais conhecida pela sua união com outra também poderosa família da região, os Storm. Ver Seita Ricardista
Manjericão. Tempero de origem com acentuado apelo afrosidíaco, dito ser capaz de levar as fêmeas da espécie à loucura. Tão ou mais fundamental para uma viagem de jovens quanto bebida alcóolica.
Meia-bomba. Atributo do indivíduo que, sintomaticamente, não consegue acender de primeira.
Parangolé. 1. Conversa fiada, lábia. 2. Manifestação da arte contemporânea criado pelo artista Hélio Oiticica, seu modelo original se traduz em uma peça em lamê prateado, confeccionada com gaze e outros materiais, vista por muitos como a representação da sinestesia e da multimídia da arte pós-moderna. 3. Fantasia sexual trajada pela professora Kátia Maciel durante o coito com o também professor André Parente.
Parcimônia. Novo jornal em circuito no Rio de Janeiro, traz notícias, crônicas e classificados de disque-sexo.
Perofobia. Medo incontornável de pêras, ou qualquer objeto/pessoa/entidade que lembre esta forma.
Presidente. Jogo de carteado que serve como desculpa para fazer todo o tipo de piada infame com o vocábulo "cu".
Pizza. 1. Comida italiana feita com massa de pão, de forma em geral arredondada, sobre a qual se dispõem camadas de mozarela, tomates etc. 2. Fenômeno estético provocado por uma massa de suor, de forma em geral arredondada, sobre a qual se dispõem camadas de um humor aquoso incolor segregado pelas glândulas sudoríparas. 3. Irmã do Ricardo que canta Kelly Key. "A pizza que é pizza não tem pizza."
Sofia Púrpura do Cairo. Aluna imaginária do curso de Comunicação Social da UFRJ e ainda está em discussão se é irmã gêmea ou, de fato, alter ego de Griffith das Arábias. Gosta de alisadores de cabelos, dicionários de sex shop e artesanato mexicano.
Tafru’s Resort. Complexo hoteleiro da família Delroe que, por tradição, hospeda as famílias Storm e Espetáculo em suas viagens de prazer, confraternização e relaxamento.
Twister. 1. Filme norte-americano estrelado por Helen Hunt e Bill Paxton. 2. Jogo de coordenação motora, equilíbrio sagaz e raciocínio cromático, altamente contra-indicado para menores de 6 anos, estudantes bêbados e o ex-presidente brasileiro Jânio Quadros.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 01h48
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Sobre heresia, macarrão instantâneo e nozes
No início, Deus criou o céu e a terra e, talvez por decidir que um mundo sem jazz, abridor de lata e McLanche Feliz não teria graça nenhuma, resolveu criar o ser humano. É verdade que sua intenção inicial era colocar-nos acima do bem e do mal, mas esse andar já estava ocupado pelo departamento de Assuntos Infernais e, desde então, a sala do almoxarifado do sistema solar passou a ser chamada de Terra. Então, entediado das trevas, Deus ordenou que se fizesse luz, mas por conta da temporada de apagões que o universo estava passando no período, Ele teve que criar o dia e, como medida econômica, a noite. Logo depois, interessado em sediar os jogos olímpicos da galáxia (que aconteciam de quatro em quatro anos-luz), Deus tentou agilizar o projeto e acabar a Terra em sete dias, mas o Cômite Olímpico Lácteo achou que ainda não havia estrutura suficiente para um evento de tamanha dimensão, até porque havia muitos vulcões em ativa na época e um dos avaliadores tinha alergia a enxofre.
A raça humana, como todos sabem, é a espécie mais inteligente do planeta, uma vez que é o única espécie capaz de refletir sobre o seu próprio reflexo, falar da própria fala e se conscientizar acerca da própria consciência, e isso tudo enquanto combina a cor da meia com a da gravata. E tem mais: a humanidade gosta de debater sobre física quântica, falar sobre ela na terceira pessoa e, sempre que pode, faz questão de jogar na cara dos outros animais o tal do lance dos polegares opositores (o que, modéstia dEle à parte, foi essencial para que o homem pudesse manusear ferramentas, jogar fliperamas e estourar plásticos-bolha). Inventamos o macarrão instantâneo, os programas de auditório e gostamos de tomar sopa com colher, embora estudos já tenham comprovado que o canudo, nesse caso, é muito mais apropriado para evitar queimaduras na boca.
Deus que nos fez à sua imagem e semelhança, o que torna um tanto estranho o fato de alguns de nós parecermos com Janet Reno ou com com o Sr. Madruga. Concedeu-nos o livre arbítrio para que pudessemos exercer nosso pleno direito de implantar ditaduras, entupir-nos de carboidratos ou simplesmente andar na rua com uma caixa com os dizeres "cabeça humana", mas só pela graça disso. Contudo, nada disso tira dEle o Cinturão de Criador, O Princípio de Todas as Coisas, o Onisciente, Onipresente, Onipotente e Tudo o Mais. Afinal, estamos falando de um cara que já acumulou em sua estante uma quantidade respeitável de prêmios, como o Grande Prêmio de efeitos especiais por todas as Grandes Guerras, a melhor intervenção divina no Festival Internacional de Milagres com o cancelamento de Baywatch e que, nos tempos vagos, ainda concorreu para Miss Divindade Via Láctea (que teria ganho de Alá, se não fosse por aquelas duas polegadas extras no quadril).
Cara de muitos amigos, ainda mais inimigos e alguns simpatizantes, Deus é tema de um sem-fim de fã-clubes, sociedades secretas, grupos terroristas e, numa cidadezinha mineira, ainda dá o nome para um pequeno sex shop atrás da vídeolocadora da cidade. Deus é, de fato, onipresente: está no pão nosso de cada dia, na maioria das letras de pagode e no discurso de tudo quanto é político às vésperas de eleição. É verdade que, ao longo da nossa história, Deus já morreu várias vezes e de várias formas, inclusive de tanto rir com cada nova tentativa do homem em tentar achar o sentido da vida (que Ele mesmo não sabe qual é, embora tenha, nos últimos séculos, desenvolvido uma teoria de que possa ser o fato de milhões de árvores no mundo serem plantadas acidentalmente por esquilos que enterram suas nozes e não lembram onde eles as escondem).
Ainda hoje muitos de nós perguntarmos se Deus realmente existe ou se Ele seria uma invenção que a humanidade criou para aliviar seu profundo sentimento de desamparo existencial, uma vez que vivemos num mundo com tanta miséria, unhas quebradas e homens que se chamam Astrogildo. Deus já foi sepultado pelos positivistas, rejeitado pelos niilistas e transformado em caixinha de dízimos pela Igreja Universal - e isso sem falar nos agnósticos, que andaram espalhando por aí que Deus teve um filho com Britney Spears só para difamar Sua imagem -, mas ainda assim continua, trocadilhos à parte, com os índices de popularidade lá nos céus. O fato é que a humanidade ainda não está preparada para se livrar dEle de uma vez por todas, até porque o ateísmo não tem nem tanta graça, nem tantos feriados. Ainda teremos Sua presença garantida por muito tempo em nossa vida. Ícone pop por excelência, Deus estará sempre conosco no planeta que nos arrendou para que reinemos soberanos, até que um dia um garoto canadense esqueça de dar a descarga no banheiro da escola e, por algum motivo fora de qualquer compreensão possível, este fato desencadear uma cadeia altamente improvável de acontecimentos que resultará na invasão do planeta pela raça alienígena Ordnave, que detestará cada pedaçinho de matéria terrestre, com exceção de pretzels (que os lembrariam da forma de seu planeta de origem) e do cabelo da Cher (para isso, não haveria qualquer tipo de explicação lógica). Amém.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 02h04
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O ministério da ironia adverte que está cansado de advertir. Se você não é da ECO, decifrar o adendo abaixo pode ser uma tarefa tão difícil quanto algo muito, mas muito difícil mesmo.
Pequeno Dicionário Afetuoso
Aspas. Tudo aquilo que circunscreve ironia, sarcasmo e também algumas citações da Vera Loyola no novo livro do Stephen Hawking.
Barriguilha. Abertura dianteira de qualquer calça no dialeto wallaciano.
Briga-de-galo. Algo para ser feito apenas dentro d’água.
Bueiro. Lugar para designar a locação do Wallace. "E o Wallace, tá no bueiro!"
ECO. Fenômeno de reverberação sonora.
Escola de Frankfurt. Este vernáculo não reconhece o termo em questão. Favor tentar mais tarde.
Escrotizar. Tornar escroto, avacalhar.
Faca. Objeto cortante cuja utilidade só é possível na presença de laticínios. "Eu estou com a faca e o queijo na mão, e já cortei."
Família. Grupo de amigos com intimidade o suficiente para criar um vernáculo dessa dimensão.
Garganta Profunda. Clássico do cinema estético-lúdico-erótico-salivar.
Garibaldo. Vulgo de caráter esdrúxulo forjado por um ente de natureza mais esdrúxula ainda.
Gongorismo. Escola espanhola de poesia inspirada no modelo de Luís de Góngora y Argote, poeta espanhol, e caracterizada por um excesso de metáforas, trocadilhos inversões e alusões clássicas. Ver Virginismo.
Griffith das Arábias. Estudante imaginário do curso de Comunicação Social da UFRJ. Gosta de frango xadrez, frequenta o Dama de Ferro e tem uma queda pela cultura oriental.
Macarronada. 1. Desculpa usada por grupo universitário para se embriagar. 2. Situação que se apresenta como solução final para a falta total de condição monetária entre membros de um determinado grupo.
Mangueirada. Sua ocorrência deriva do desejo incontrolável de alguns indivíduos no calor. "Está calor, vamos tomar uma mangueirada?"
Michel Fucô. Filósofo dito preferido do professor Hério Saboga.
Niti. Filósofo dito preferido da aluna Anna Virginia.
Parcimônia. 1. Divisão justa e igualitária de bens. "Eles contavam os graõs de arroz na hora do almoço, e os mais novos cediam parte de sua porção aos mais velhos na hora da parcimônia."
Patético. Aquilo que é digno de pena, comiseração. "Enquanto pisava na areia fofa, sentia-se o ser mais patético do mundo."
Picareta. 1. Pessoa que usa de expedientes e embustes para: a) alcançar favores, b) buscar fama injustificada, c) ganhar cartões em formato de maçã ou pêra de seus alunos, d) todas as alternativas. 2. Requisito para candidato às vagas do Corpo docente da Escola de Comunicação da UFRJ.
Pod’s crê. Expressão de cunho popular que confirma, enfatiza, corrobora. Ver You Know e Savez-vous.
Quanto custa?!?. Expressão de caráter interrogatório, proferida de forma exagerada e inapropriada, e sempre no momento em que menos se espera que o seja.
Rede. Lugar de forte apelo sexual, geralmente comandado por certa estirpe de primos numa família. Pode levar as fêmeas da espécie à loucura, mas também ao chão no momento seguinte.
Shivibori. Ver Espetáculo.
Storm. 1. Adjetivo empregado para definir aquilo que é de natureza grandiosa, fantástica. 2. Espetáculo, genial, extraordinário.
Tchurma. Alcunha extraída das aulas de Teoria da Comunicação para designar grupo, categoria, galera. Ver Patota.
Tequila. 1. Distrito do estado de Jalisco, México. 2. Espécie de aguardente mexicana que incita comportamentos mais baixos, básicos e vergonhosos em locais públicos, privados e atemporais.
Téquipe. Espasmos de irracionalidade num ente outrora cerceado de nobreza intelectual. Ver Virginismo.
Toalha. Utensílio doméstico valorizado especialmente em viagens, devido a seu valor prático. Pode ser usada como agasalho, travesseiro, vela para barcos em situação emergencial, arma em potencial no combate corpo a corpo, proteção do couro cabeludo contra emanações tóxicas quando enrolada na cabeça ou para fins lúdicos no cabra-cega.
Toast. Something that’s on the table to be eaten. "Eat the toast!"
Verdade. 1. Aquilo que não existe. 2. Aquilo que está no DCE.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 21h14
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Post revisitado, porque precisava.
Existem algumas máximas no mundo que deveriam ser cartilhadas para virar manifesto, com direito a ícone barbudo, grupo de discussão e coquetel de lançamento no Sujinho. Uma delas é que o fato de ninguém o entender não faz de você um artista. Quem não gosta de achar que o mundo ao seu redor é que é muito atrasado para acolher seu potencial artístico avassalador, acreditando ser um homem muito além do seu tempo só porque a sociedade não foi capaz de reconhecer a astúcia transcendente na sua última poesia, "Sobre o cocheiro, o pum e a lata de sardinha"? É impressionante como toda falta de talento tenta encontrar refúgio no célebre rol dos Gênios Incompreendidos (até porque o grupo dos Gênios Incompreensíveis anda ultimamente com superlotação, e a facção dos Gênios Compreendidos, Mas Com Ressalvas passou a cobrar cadastro no Sindicato, o que não custa barato e ainda obriga o recém-filiado a ter que entrar em greve e usar lycra rosa toda terça-feira de lua crescente). Pintores como Van Gogh e Modigliani passaram por poucas e boas durante a vida e só conseguiram ganhar reconhecimento depois de mortos. Assim, uma orelha cortada e uma vida miserável mais tarde, eles conseguiram ser imortalizados na História, o que, pelo que dizem, eleva muito o seu status entre o mulherio no post-mortem. Até aí, tudo bem - enfim, antes tarde do que nunca. Entretanto, o problema paira na seguinte pergunta: se eles podem, por que não você? Ser um Gênio Incompreendido é anistia garantida para a picaretagem. Todo mundo adora acreditar que sua arte está além da compreensão do homem comum, preso à mente bitolada do presente. O seu trabalho é sempre um grande sucesso; os críticos sim, que são um verdadeiro fracasso.
A verdade é que para cada Van Gogh, existem pelo menos algumas centenas de picaretas que conseguem convencer não apenas a si mesmo, mas talvez ainda a uma legião de seguidores que a História quase nunca é capaz de atender uma vanguarda quando ela bate na sua porta e toca sua campainha (não necessariamente nessa ordem). Sempre há um período de adaptação até que a dívida com o artista seja quitada com juros, correção monetária e um passaporte garantido para a mansão do Hugh Hefner nas próximas encarnações. Acontece que a genialidade não é uma embaixada para asilar todos aqueles que não conseguem lidar com o fato que seus dotes artístico-intelectuais são tão intensos quanto a vida sexual da Sandy. Ser estranho não faz de você um revolucionário, e sim o oposto. Na maioria absoluta dos casos, cortar a orelha não faz de você um grande pintor, e sim um grande idiota.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 04h15
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Um post para não ser comentado por mais do que uma pessoa
O Ministério da Ironia adverte: ler o texto abaixo sem entender o dado contexto faz mal à saúde, ao senso de ridículo e à minha reputação gongo-sinclairica. Paródia, meus caros, paródia: é uma palavra mágica. (Assim como dentrifício, que, falado de trás para frente na língua do pê enquanto seu enunciador dá três pulinhos no ar, bate na testa e massageia a barriga ao mesmo tempo, abre o maior canal de comunicação com o Criador, O Princípio de Todas as Coisas, o Onisciente, Onipresente, Onipotente e Tudo o Mais.)
Faaaaalllaaa ae tripulantes ascéticos da grande compreensão da harmonia universal!!!
Putz, sábado teve a mãe de todas as festas, a devastadora de lares e perversora da moral, obstruindo mentes e recopiando o tropel dionísico de outrora; uma antropofagia visceral, flutuações erráticas e irregulares que se imergem no tropel dos mascarados pululentos... enfim, a única, a grandiloqüente, a entorpecente LOUD!; o limbo em que coexistem Morriseys e Morrisons, Stripes e Clashs, Cures e curas para todos os males desse mundo roto e estonteado em suas vibrantes e verdejantes tormentas do porvir. Entrépida trupe: o grupo heterogêneo respira novamente, lá encima vem o barulho do aspirador que limpa o seu belíssimo e único tapete do lusco-fosco lauto e incessante; rotação de ventilador em seu curso psicopositivo e curninérveo, carnaval de concupiscência povoado com ursinhos carinhosos que se metamorfoseam em seres insólitos e despadrados... essa última LOUD! foi a medida de todas as coisas, a cosmogonia da diversão, foi td de bom!
Lilian com duas pessoas que não faço a mínima idéia de quem são, e muito menos ela.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 11h22
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Insônia é o 12º pior inimigo do homem
Tem pessoas que nunca gostam de mim de primeira. Nem de segunda. Tá bom, tem pessoas que nunca gostam de mim, pelo menos até me conhecer bem – porque depois, elas passam a me odiar. Eu tenho a simpatia de um guarda da Coroa britânica e o charme de uma almôndega esmagada no canto do prato. Não é como se a ficha quanto a essas minhas qualidades irredutíveis já não tivesse caído antes, mas nessa semana ela não só caiu como também quicou, rolou e estou quase certa que chegou a entrar no bueiro. Em geral, ou você me odeia ou você, bom, pelo menos me suporta, ainda que para isso tenha que ser subornado com álcool, decote e bombom. (Obviamente ainda resta 99,9986% do mundo que desconhece completa e absolutamente a minha existência, mas esse assunto será tratado num dia mais maníaco-depressivo e predisposto a divagações sobre todas as formas de se deprimir quando se está deprimido, incluindo o ato de folhear catálogos de brindes de cartão de crédito três vezes ao dia.) Um dia desses mesmo cheguei a brigar com três estranhos por motivos absolutamente banais: um lugar no ônibus, um cotovelo no balcão e, por último, se Einsten era ou não afinal um ótimo dançarino de funk. De certa forma, um homem não se faz apenas pelo seu caráter, pelas suas paixões ou pela sua mania de beber café com canudo; um homem é o que é também pela sua capacidade de produzir irreverência e cultivar inimigos. Muitas vezes não é você que acha o inimigo, mas ele que acha você - o que certamente explica spams, cartas-bomba e vendedores de enciclopédia que usam gravata-borboleta às 8:00h da manhã de sábado na porta da sua casa. Inimigos vêm em todas as cores, sexos e odores. Pode ser seu antigo rival do colégio, a ex do seu namorado ou ainda o sorveteiro que sempre se recusava a vender sorvete para você, porque alguma coisa na sua cara fazia com que ele quisesse dar três voltas no quarteirão cantando Barbra Streisand com nada mais que uma meia de lã. Desde tempos imemoriais existem homens que não se dão uns com os outros (o que explica a origem do sistema penitenciário, do Programa do Ratinho e o o trocador que te dá R$0,40 de troco em moedas de um centavo). "Conhece teu inimigo e a ti mesmo, e não precisará temer o resultado de cem batalhas", diz a filosofia oriental, que gosta de sair para tomar um chopp com a sabedoria ocidental sempre que pode. Não, isso não é um post amargo de alguém que decidiu se revoltar com o mundo porque tem um nome de vilã mexicana ou de pedicure gorda; muito menos se trata de alguém querendo ouvir o quanto é suportada pelos seus amigos. Não acho que alguém me odeie publicamente, até porque tem coisas muito mais interessantes a serem feitas ao invés disso, como gastar esse tempo treinando para ser um dançarino de funk. Não guardo remorso ou rancor contra ninguém porque engorda. Todo mundo tem sua coleção de inimigos, que mais tarde poderão se tornar amigos ou simplesmente, bom, ou simplesmente não. Se é de cem batalhas que se vive a vida, brigue outra vez. E de preferência, tente não ser esmagado dessa vez. Principalmente se você for uma almôndega. Ou uma Virginia.
Escrito por ««Ånninhå®»» às 06h13
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Trinta Coisas que eu Odeio no Aluízio

E continuamos como Palhaços do Circo sem Futuro que é a ECO, onde pode até não ter picadeiro, mas tem picareta de sobra...
Escrito por ««Ånninhå®»» às 23h00
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BRASIL, Sudeste, RIO DE JANEIRO, SANTA TERESA, Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Música, Literatura ICQ - 310390522
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